quinta-feira , julho 18 2019
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Brightburn, o novo filme de James Gunn está entre a luz e as trevas

2019 vai ficar marcado como o ano dos heróis. Vingadores End Game quebrou todos os recordes, a continuação do grande sucesso de Homem Aranha de Volta ao Lar, a estreia quase que simultânea de Capitã Marvel e “Capitão Marvel” (SHAZAM), o aguardadíssimo filme do Coringa… Por outro lado é também o ano dos filmes de Terror como Nós, a Continuação do grande sucesso IT – A Coisa, a estreia quase que simultânea de A Maldição da Chorona e Cemitério Maldito, o aguardadíssimo filme do Brinquedo Assassino…
E é nesse contexto que surge Brigthburn – Filho das Trevas, um híbrido de filme de super-herói e filme de terror. Na trama produzida por James Gunn (diretor de Guardiões da Galáxia 1 e 2), o casal Kyle e Tori Breyer, moradores da zona rural de uma pequena cidade do Kansas, encontram um beê recém-nascido que acaba de chegar na Terra a bordo de uma nave espacial. Quando Brandon, uma criança que nunca se machucou, completa 12 anos, começa a perceber que tem poderes como super-força e capacidade de voar, e passa então a usar esses poderes para fazer o mal. Algo que aos poucos começa a apavorar seus “pais”.
Ao ler as duas primeiras linhas dessa sinopse já dá para perceber a semelhança com o alienígena mais querido do planeta terra. O filme é cheio dessa atmosfera dos personagens super-heróis como o nome e o sobrenome do herói começar com a mesma letra, a capa e a máscara. Ao mesmo tempo outros aspectos dos filmes de terror estão presentes, como sustos, luzes que acendem e se apagam, criança surtada e mortes com cenas fortíssimas.
O diretor leva para a tela uma questão que fãs de heróis uma hora ou outra pensam e querem ver: o famoso “e se”. E se os Vingadores lutassem com os X-men? E se Tivesse um jogo de Mortal Combate contra Street Fighter? E se o Bruce Wayne tivesse morrido no lugar do seu pai Tomas? E se o Superman não fosse um cara bonzinho e na verdade tivesse sido enviado para a terra para destruí-la? E se eu unir uma história de herói com uma história de terror??
É com essa pergunta inicial que o diretor David Yaroesky juntamente com os roteiristas Brian Gunn e Mark Gunn, irmão e primo, respectivamente do já citado James Gunn trabalham a dualidade da trama. Cenas clássicas de filmes de heróis criando seu uniforme se fundem com cenas clássicas de criança “possuída” fazendo desenhos estranhos, só para citar um exemplo.
Como os filmes de heróis estão em alta e os de terror também. Então em uma matemática lógica a ideia teria tudo pra dar certo e tirar uma nota 10. Ou tudo pra dar errado e tirar uma nota baixíssima. Porém, a meu ver, essa ideia pouco provável e inda não muito experimentada, deu seu primeiro passo para tentar mais junções como essa (vale lembrar que “Novos Mutantes” está vindo aí, e parece que deve ter uma pegada parecida).
Apesar da história não ser totalmente cativante ela é pelo menos instigante. Alguns temas como bullying na escola e suas consequências, e o poder das relações familiares na formação da criança, estão presentes e podem até levar o espectador a uma reflexão.
Em alguns momentos nos vemos torcendo pelo vilão da história, muito por estarmos acostumados com “o portador de uma capa vermelha estar sempre nos protegendo” e nos esquecemos de quem realmente é o monstro do filme.
Filme cheio de altos e baixos e por isso mesmo não consegue ser bom e nem é tão ruim. Mais um filme mediano, mas que vale muito a pena assistir por causa dessa maravilhosa dualidade do “e se”.

Cristiano Silva

Sobre Paulo Dagomeh

Paulo Dagomeh
Poeta, compositor e ativista cultural, fundou, com amigos, o grupo Radicais Livres e o Movimento Supernova. É membro do Colegiado Livro e Leitura.