quinta-feira , julho 18 2019
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Aniversário de São Sebastião: Muito a comemorar e muito mais a fazer

Foto: Nanah Farias

No mês passado, a Região Administrativa de São Sebastião, comemorou 26 anos de existência.
Vinte seis anos de uma história que precisa ser recontada e lembrada. Das três fazendas iniciais dessa região, surgiu uma das regiões administrativas que mais cresce no DF. São Sebastião é uma cidade tão afetiva, que seu nome foi em homenagem a um dos seus grandes defensores, percursores e pioneiros, seu Sebastião Areia, ou só Tião Areia, para os íntimos. Pioneiro que tem sua história fincada nessa terra. Terra, lama, tijolo de tudo, do fundo do rio São Bartolomeu até a ponta da cruz do Morro da Cruz.
São Sebastião deixou de ser cidade dormitório, para ser uma cidade que produz. Produz muito, de tijolo, a cultura. Berço do sarau de periferia, aqui há um eterno palco, desde o forró pisadinha, até o punk. Perpassando pelo reggae maranhense, samba, sertanejo e nossas lindas quadrilhas juninas que representam a cidade nesse país a fora.
Uma das maiores problemática da cidade é a questão da violência e a questão fundiária e uma está bem ligada à outra. Hoje temos um bairro que já está quase maior que a cidade. Fruto de muita especulação e grilagem de terra, onde muitos enriqueceram em cima de sonhos daqueles que juntaram tudo para ter o seu pedaço de chão e em pouco tempo viram seus sonhos destruídos por um trator da Agefis. Deve ser por isso, que a regularização da cidade demora tanto a sair, pois muitos aproveitadores, ainda têm interesse em grilar terras por aqui. E quando bairros são formados dessa maneira, gera falta de planejamento urbano, ausência de segurança pública e escola, não conseguindo atender a demanda da população, piorando assim, a qualidade de vida das pessoas.

Foto: Nanah Farias

Uma cidade que vem ganhando proporções gigantescas e que tem ao seu lado um bairro planejado ,onde o povo quer ser Jardim Botânico, mas consome em São Sebastião, porque é mais barato, sendo que os serviços públicos para atender a população não foram ampliados, como: escola, posto de saúde, posto policial e etc.
É uma cidade jovem, onde há poucos espaços de lazer e esporte, fazendo com que muitos talentos sejam perdidos por aqui. Quantos skatistas deixaram de praticar por não ter uma pista de skate decente na cidade? Ou a necessidade de se ter mais de uma… Além da urgência de revitalizar as praças e quadras, fazendo do espaço publico um espaço de interação, brincadeira, aprendizado, esporte e de vida saudável.
Apesar de tudo isso, São Sebastião merecia uma festa, sua existência merece ser celebrada. Cidade do Barro, cidade negra , cidade nordestina, mineira, goiana, mistura de povos e crenças. Tão poética , pois nasceu do barro, assim como ADÃO, mas ela é mulher apesar do nome, A CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO. Obrigada pelo seu abrigo de mãe. Mãe da capital. Ganhamos com sua existência, perdemos por você não ter sido lembrada com uma festa. E nem precisava ser festa surpresa!

Obrigada, SÃO SEBAS!!

Karlinha Ramalho

A propósito da publicação e da citação do Sr. Tião Areia publicamos, junto com a crônica da Karlinha, o depoimento do citado pioneiro ao site Memórias Oleiras. Acompanhe!

Sobre Paulo Dagomeh

Paulo Dagomeh
Poeta, compositor e ativista cultural, fundou, com amigos, o grupo Radicais Livres e o Movimento Supernova. É membro do Colegiado Livro e Leitura.