quinta-feira , novembro 21 2019
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Teresas – Karla Ramalho comenta videoclipe de Markão Aborígene

O vídeo sobre o qual comento na minha coluna foi lançado por um grupo de rap de Samambaia – DF, chamado: Aborígene. A composição é do líder do grupo, Markão Aborígene, juntamente com sua esposa, Rose Elaine, inspirada em uma história real, a da avó de Rose. Conta a história de Teresa, uma mulher que depois de anos de humilhação e agressão de seu companheiro conseguiu se libertar. As maneiras que ela encontrou para mudar essa sua situação de opressão foi buscando autonomia financeira e retomando aos estudos, matriculando-se na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
11064234_797698680267440_265422575_oViolência doméstica contra a mulher, nos dias atuais, tem sido um assunto muito debatido, principalmente depois da criação da Lei Maria da Penha. No entanto, só o fato de se debater muito sobre o assunto e de já existir essa lei que pune os agressores não tem sido suficiente para diminuir a violência que muitas mulheres sofrem no ambiente familiar. A história de Teresa confunde-se com as historias mulheres periféricas que são humilhadas por seus companheiros as quais, na maioria das vezes, por dependência financeira (e afetiva), acabam não tendo incentivo para mudar sua realidade.
O clipe mostra que Teresa começou a vender chocolates e costurar para conseguir uma renda. Atualmente, o Governo Federal tem algumas iniciativas que contribuem para que muitas mulheres conquistem sua autonomia financeira. Uma delas são os cursos técnicos do Instituto Federais (IFET), em que há mais mulheres matriculadas do que homens, sendo um importante caminho para muitas regressarem ao mercado de trabalho com qualificação. Há também o programa Bolsa Família, incentivo financeiro, entregue nas mãos de mulheres para que elas decidam como irão gastar, de acordo com as suas prioridades. Dentro disso, percebe-se a importância do debate sobre autonomia financeira para melhorar a qualidade de vida das mulheres, principalmente para aquelas que se libertam da violência doméstica.
Apesar dos avanços, ainda falta muito para mudar a realidade das mulheres pobres, vítimas de violência doméstica. É preciso valorizar a mão de obra dessas mulheres no mercado de trabalho e ampliar o debate sobre a Lei Maria da Penha. Além de fazer um debate com toda a sociedade sobre a dupla jornada, algo que dificulta a participação ativa das mulheres na vida social e isenta o homem desse papel de também cuidar da casa e dos filhos. Existe um longo caminho social para se mudar a cultura do machismo, o Estado também deve assumir essa responsabilidade e se comprometer com políticas públicas que possam contribuir para mudar a vida de muitas mulheres. E nós seguiremos na luta, ampliando esse debate, por Teresas, Marias Amélias, por todas…Confere aí o clipe protagonizado por Meimei Bastos do qual tive a honra de fazer uma participação.

Por Karla Ramalho

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